Existe uma voz que não consegue se defender sozinha. Ela depende de alguém
mais forte para ser ouvida, protegida, levada a sério — e Deus sabe disso com uma
clareza que nós frequentemente evitamos.
"Fazei justiça ao fraco e ao órfão; procedei retamente para com o aflito e o
desamparado." Salmos 82.3 — KJA
O Salmo 82 é um dos textos mais incômodos da Bíblia. Deus aparece no meio de
uma assembleia de líderes — aqueles que tinham poder, autoridade e
responsabilidade — e os confronta diretamente. A acusação é grave: eles deveriam
ter protegido os vulneráveis, e não fzeram.
A palavra hebraica para "fraco" aqui é dal — alguém curvado pelo peso de algo que
não deveria estar carregando. O órfão, o afito, o desamparado. São os que não têm
representação, os que dependem da integridade de outros para sobreviver. E Deus
não apenas se comove com eles — Ele cobra de quem podia agir e preferiu se
omitir.
Isso tem um peso real para nós hoje. Fazer justiça para os mais fracos não é uma
tarefa reservada a governos ou instituições. É um chamado do povo de Deus. Cada
vez que a gente olha para o lado diante do sofrimento de alguém indefeso, estamos
repetindo o erro dos que Deus confrontou neste salmo.
A graça genuína não nos torna passivos. Ela nos empurra para o outro —
especialmente para aqueles que ninguém mais quer ver.
Vamos Orar
Senhor, obrigado por ser o Deus que vê os que o mundo prefere ignorar. Perdoa
as vezes em que me omiti diante de quem precisava de proteção, quando eu
tinha condições de agir e não agi. Que eu não seja apenas alguém que sente
compaixão à distância, mas que a vive com coragem. Abre meus olhos para os
vulneráveis ao meu redor. Dá-me disposição para usar minha voz, minha
infuência e meu tempo em favor de quem não consegue se defender sozinho.
Que tudo isso seja movido pelo Teu amor e pela Tua justiça. Em nome de Jesus,
amém.

